quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O problema do Sporting

Embora muita gente critique as decisões do treinador Sá Pinto, eu acho que o problema do Sporting provém mais sistema usado do que dos jogadores que entram de início. Esses não devem variar muito daquilo que temos visto desde o primeiro jogo desta época em Guimarães. Podemos argumentar que Insua deveria ser titular na posição de defesa esquerdo e que Adrien não está claramente a mostrar características de um "10" que poderá dinamizar a equipa no ataque. Claramente com menos vocação ofensiva, ou pelo menos mais contido no que toca a atacar, este croata tem um pé esquerdo que mais parece de um médio, e em termos defensivos cumpre mais do que o argentino. E talvez seja isso que Sá Pinto procure para aquela posição. Já a posição "10" não deveria existir neste Sporting visto que não tem opções válidas para desempenhar essa função. Na minha opinião um 4-3-3 como era apresentado por Domingos na época passada é o mais adequado para este plantel. Com Gélson mais recuado, num triângulo que deveria ser formado também por Elias e Adrien, o Sporting teria os jogadores certos nas posições certas do meio campo. Visto até que no banco teríamos os substitutos perfeitos para estas posições, Rinaudo por Gélson, Schaars por Elias e André Martins por Adrien.
Na defesa não gosto de ver Rojo atuar a titular, creio que é um jovem muito talentoso que tem de evoluir bastante para que possa chegar ao 11. À sua frente estariam Xandão e o americano Onyewu que partiu para Málaga por não entrar nos planos do treinador. Pelo que vejo na seleção argentina, até joga melhor como defesa esquerdo do que como central. De resto não mexeria nos homens que têm entrado de início nas partidas já disputadas. Cédric é claramente o melhor defesa direito e Boulahrouz é um patrão que teria lugar em qualquer equipa do nosso campeonato.
Como referi acima o problema está na dinâmica que a equipa apresenta. Com processos lentos e previsíveis este Sporting encontra-se incapaz de dominar um jogo com oportunidades de golo. Se Ricky Van Wolfswinkel precisa de 3/4 chances de fazer golo pelo menos 8/9 têm de ser criadas. O meio campo tem de ser rápido a construir. E vê-se que os jogadores têm capacidade para o fazer. Se calhar isso não lhes é pedido e por isso as oportunidades de golo dos leões caem do céu e a conta-gotas. Os extremos não podem ser apenas dois comboios que usam a linha como zona de ação. Estes têm de ser envolvidos na construção, e o que está a acontecer é que eles estão plantados nas linhas à espera que a bola chegue lá para eles fazerem as suas fintas. Com o avançado acontece o inverso, este vê-se na obrigação de sair da zona de finalização para poder cheirar a bola e para que esta não pareça uma estranha na hora de finalizar. E o que consequentemente acontece, é que falta alguém para preencher o espaço que Ricky deixa de vago na área. Com um maior apoio dos médios interiores, neste caso Elias e Adrien, que aparecem bem em zonas de finalização, este espaço poderia e deveria ser melhor aproveitado.
Em relação ao processo defensivo, este parece ter sido corrigido e a equipa já não é surpreendida em contra-ataques adversários, embora a derrota com o Rio Ave tenha sido marcada com um golo dessa forma, muito por culpa das saídas de Polga e João Pereira. No caso do primeiro por falta clara de posicionamento e qualidade e no caso do segundo por falta de qualidade de desarme e por se aventurar vezes demais no ataque, mesmo quando já não teria forças para subir e descer o terreno.
A mim resta-me ver o Sporting desperdiçar mais pontos por não ser uma equipa ofensiva, ou pelo menos perigosa ofensivamente.
Como última nota gostaria de referir que a equipa B terá muitos jovens que mais tarde poderão integrar os quadros do plantel principal. Serão exemplos disso o lateral direito Arias, o defesa esquerdo Mica, o central Pedro Mendes, os médios João Mário e Zezinho, o extremo Bruma e o ponta de lança Betinho.

1 comentário: